segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Capítulo 1.

Ele continuava sua vida.
Ainda na cama, seu corpo doía. Sua história implantava novos desejos de velhas esperanças.
Sua vida havia mudado, não como havia planejado, as lições que teve que aprender não foram as mesmas, para as quais ele se preparou.
Sentia como se restasse um único fio de esperança, tão fino e tão frágil quanto um fio de seda.
Aquela esperança de menino se transformou, sem sentido. Seus sonhos pareciam tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo, seu desabafo era a escrita, o papel e o computador eram seus melhores amigos, nos piores momentos.
Seu final de semana havia incluído um filme sobre seu sonho, amigos e cerveja, sua segunda feira começava, tristonho, sentindo falta de abrigo e de certezas.

De qualquer forma, tinha que levantar da cama, encarar a realidade e as audácias da verdade, tinha que seguir em frente.
Não tomou café, como de costume, a pizza e a cerveja da noite anterior não lhe caíram bem, tinha 30 anos, e já alguns problemas de estômago que deveriam ser controlados, então seguiu para os afazeres da casa, encarou algumas situações difíceis, tomou seu banho, pegou seu carro e seguiu para o trabalho.

Depois de escrever alguns pensamentos e desabafar no seu blog, organizou sua rotina, sua semana e seguiu.
Sua luta pelos seus sonhos era intensa e febril, por vezes. Seu intento em vencer a todo custo (dentro dos parâmetros de honestidade e moral que acreditava), e não desistiria disso, sabia que ainda havia muito a ser feito, e decidiu não se abalar e continuar o que deveria ser feito.

Alguns problemas parecem engraçados, pois começam de forma avassaladora e quando as pessoas olham realmente para o que estão enfrentando, veêm que o bicho-papão que lhes assombrava, era apenas um grilo falante com sua sombra projetada na zona além da imaginação. Sua semelhança com o monstro do armário da infância é tão grande, que por alguns momentos, a criança dentro de cada um aparece e sente mais medo do que realmente seria cabível.

Ele tinha medo. Tinha uma série de medos e dúvidas, tentava suprimir todas elas pela fé, pelo otimisto e pelo tão falado e desvendado "segredo". As coisas funcionavam, e estavam bem há alguns anos, mas no primeiro tombo, o joelho da alma ralado, dói muito, quando se fica muito tempo sem sentir dor.
Nunca gostou da dor, qual ser-humano na face da terra que gosta? Mas havia feito um pacto com ela, que iria acolhe-la quando ela aparecesse, e que ia dobra-la, engana-la, desviar dela, mesmo sabendo que corria um risco e que podia não dar certo.

Teve uma infância feliz, descobriu a música muito cedo, por volta de 6, 7 anos de idade, quando ainda formava sua personalidade, e se encantou, viu um mundo novo e cheio de mágica, o qual queria fazer parte, custasse o que custasse, desde então, esse sonho, esse pensamento nunca mais saiu de sua cabeça, 23 anos haviam se passado e o sentimento ainda era o mesmo, o que não o deixava desistir.

Quando um sonho acomete a cabeça de uma pessoa, ela é vista como doida, insana, estúpida, desequilibrada e infantil, mas ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas que a julgam e classificam assim, percebem e invejam um brilho no olhar, uma determinação inviolada, um desejo ardente de se conquistar algo, e isso incomoda.

Não que ele nunca tenha pensado em desistir, muito pelo contrário, muitas vezes esse pensamento invadiu sua alma e tirou sua calma, fazendo o coração chorar, cheio de dor, por saber que não resistia, e não desistia. Todos esses momentos nunca passaram de algumas horas.

Havia vivido uma adolescência de extremos.

Continua.















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