sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Capitulo 3

Sonhos, sonhos, até onde vão os sonhos?
Sonhos são armas desalmadas, que roubam seu tempo e sua vida até sua concretização.
Sonhos doem, sonhos machucam.
Sonhos agridem, sonhos sangram.

Ele seguia, sentado em seu escritório, pensava na vida, nas atitudes que havia tomado, na raiva que de tempos em tempos, ainda sentia, no sonho que, semi-realizado, ainda incomodava.
Levantava-se e sentava-se novamente, andava de um lado para o outro.
Sua vida havia se resumido em um apartamento na vila madalena, filmes, livros, e musicas, muita música.

As ideologias diferentes ainda incomodavam as vezes, as diferenças seriam diferentes para sempre.
As vezes achava que não sabia o que fazer, mas no fundo, sabia, e sabia muito bem, mas brigava com seu orgulho para que o que sabia se tornasse concreto.

Para onde iria tudo isso, ele mesmo determinaria.
Pararia de pedir opiniões diversas e de fazer consultas sobre os assuntos, afinal grande parte da sustentação vinha dele.
As opiniões seriam palavras soltas ao vento, sem possibilidade de busca.

A raiva incomodava, mas incomodava mais ainda o cansaço presente, que aos 32 anos, era muito diferente dos 25.
Sentia fé, sentia calor, frio e esperança ao mesmo tempo.
Estava em outro patamar, uma nova fase, mas que ainda tinha seus altos e bem poucos baixos.
Mas a alma ainda chorava, pouco, molhava os olhos, e moldava a alma e o que estaria por vir, mas a questão que se perguntava sempre era, estaria certo?

Não sabia, e provavelmente só saberia quando deixasse esse mundo.
Levantava de seu escritório e seguia para o mercado, para comprar mais esperança e sustentação para a situação.

Continua.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Capítulo 2.

Os resquícios daqueles momentos amargurados haviam desvanecido por completo.
A dor não se deteve naquilo, dificuldades intrínsecas e forasteiras adicionando um novo sabor à vida, que deixariam marcas para sempre.

Já não estava sozinho, dividia uma vida.
E quando dividia uma, quase dividiu a terceira, mas por uma infelicidade do destino, essa ficou pra trás, e doeu. Doeu como nunca imaginara que pudesse doer, sofreu como nunca imaginara que pudesse sofrer, chorou como nunca imaginara que pudesse chorar, não só ele.
Ele e ela, mas viveu, seguiu, viveram, seguiram.

Nunca uma dificuldade o fez parar.
Elas surgiam, pareciam maiores do que verdadeiramente eram, apertavam, subsidiavam a dor e o aperto no estômago, o nó na garganta, companheiros de longa data em uma história que não foi datada.
A vitória parecia ter viajado por uma highway daquelas dos filmes dos anos 60 e 70, a vida parecia mesmo um filme, as vezes comédia, as vezes terror, as vezes aventura, e as vezes amor.
Sua guitarra continuava firme, suas mãos é que tremiam, de ansiedade e avidez por um lugar que nunca tinha estado, mas sentia uma saudade intensa e imensa.
O ano se resumiu em uma perda, se forçou em uma labareda de fogo de amor, que quase apagou, mas ressurgiu e durou, durou mais do que se esperava, em todos os sentidos.

O sonho foi ficou um pouco de lado, um pouco quadrado, um pouco desesperado. Mas o coração ainda ardia forte, e a ânsia de fazer a terra das maravilhas pitorescas da música seca, seguia firme.
Aquele dia parecia um ano todo, e a realidade parecia um sonho estranho, até hoje não se sabe qual a realidade e qual a parte "sonhada", mas sabe-se que ele ressurgiu, assoprou as velas do aniversário de sua dor, passou por cima do carnaval como em todos os anos, e resgatou a força que tinha escondido no lado mais obscuro e fundo da alma.

O humor ácido sumiu, uma luz surgiu e trouxe fé, esperança e realização.
A falta de sono não o abalou, pois o sono faltou, mas construiu a vida, e foi o início de algo mágico.
Seguiu com a vida, o trabalho, o trabalho, o trabalho,  o trabalho.
A realização, a realização, a realização, a realização.

Depois de 2 meses, que pareceram 2 anos, tomou café, e se sentiu disposto de novo, reprimiu os fantasmas do passado e seguiu confiante no que já foi realizado.
Não sentia falta dos mesmos, mas da inspiração forçada que eles traziam para o dia a dia, e percebeu que na dor, as palavras fluíam, e quando estava tudo muito bem, as palavras sumiam.
Precisava trazê-las de volta, precisava mantê-las ao seu redor.

Foi quando percebeu, que não bastaria escrever sobre sua vida apenas, devia buscar mais, investir mais, dar vida aos personagens que compartilhara muitas situações e transações intelectuais.
Havia acontecido o que acontece à quase todos, a luta dera espaço ao conforto. Precisava sair de uma zona de conforto que acabara de entrar, para traze-las de volta.

Não importava mais.
Tudo ficou pra trás.
Se diziam não ser possível ser feliz e bom, o céu mudaria de tom, e de cor, e de céu, e de luz.
Como escrever sobre coisas boas e bonitas, esmiuçar o amor e as margaridas?
Os 2 meses-anos que se passaram, foram raros.
O segredo descoberto ficou barato.
A facilidade para a realização foi o novo aparato.
E o sol brilhou dando um novo amparo, à vida.
O melhor ano de sua vida.

O relógio continuava o ameaçando, mas agora de uma forma diferente, mais amena, mais contundente, mais razoável, mais sincera.
O que é importante destacar, é que nada mudou no mundo, o que mudou foi sua própria mente.
Estava altivo, diferente, sua casa ainda é a mesma, sua parceira, a mesma, sua família, projetos, gostos, desejos, os mesmos, seus sonhos, os mesmos, mas diferentes, mais reais, acontecendo pelos finais, atrás da diferença da realidade versus ilusão.

O interessante é que quando se revisita as poesias da dor, elas não vem com a dor em si, mas apenas com a carga artística da dor, pleiteando por um lugar que não é dela.

Havia mais responsabilidades, e mais por vir, mas a capacidade de auto-regeneração física, mental, espiritual e musical, havia seguido para um novo patamar, um patamar de realização plena, nunca visto no plano de vivência habitual.
As evidências dos crimes contra sua própria personalidade e história, deram lugar ao perdão intenso e praticado diariamente, assim como a vivência dos sonhos ilimitados.

Havia seguido, e muito antes do capítulo 3 ou 7, já estava onde queria e como queria.
Mas sabia, no fundo de sua alma, que ainda havia muito a ser feito.

Continua.